domingo, 20 de novembro de 2016

Eleitores de Trump vão descobrir que foram ludibriados

Por Alfredo Valadão

Eleitores de Trump vão descobrir que foram ludibriados
As sondagens não estavam tão erradas. Nos últimos dias, todos os institutos anunciavam um resultado muito apertado. Hillary venceu no voto nacional – por pouco. Só não levou porque Donald Trump ganhou três Estados chaves na velha “cintura da ferrugem” americana, por margens estreitíssimas – correspondendo 0,1% dos votantes. Mas são essas as regras do jogo. O bilionário demagogo é hoje o presidente-eleito da maior potência mundial. Só que não será fácil governar, mesmo com maioria republicana no Congresso.
O país está profundamente dividido. Por um lado, as grandes cidades, sobretudo nas costas Este e Oeste, cada vez mais prósperas, na ponta da modernidade tecnológica, e um modo de vida cosmopolita dinamizado pela mistura de minorias étnicas. Por outro, os “grotões” das regiões centrais, cada vez mais pobres, com suas indústrias em crise, seus pequenos agricultores ultrapassados e suas populações brancas e desesperadas. As primeiras votaram Clinton, as segundas Trump.
Essa fratura, não é de hoje. Os Estados Unidos estão na dianteira de uma nova revolução socioeconômica tão profunda quanto a revolução industrial do começo do século XX. O velho modelo industrial da produção de massa para o consumo de massa, que criou a classe média americana e depois se espalhou pelo mundo inteiro, está cada dia mais enferrujado.
Outra realidade desponta: a produção em rede, conectada, informatizada e automatizada, baseada nos serviços embutidos nos produtos. Uma produção customizada para um consumo customizado. As antigas fábricas e suas tradicionais cadeias de montagem, nacionais ou transnacionais, estão se esvaindo pouco a pouco. Não há volta atrás. Os operários e empregados brancos de meia idade, ou próximos da aposentadoria, não vão recuperar seus empregos e o seu estilo de vida.
Aumentar o poderio econômico dos Estados Unidos
Ninguém sabe direito o que Trump vai fazer. Ele já começou a abrandar as suas promessas eleitorais. Como se tivesse descobrindo que um presidente americano não é tão poderoso assim. A palavra presidencial é um grande trunfo, mas governar significa negociar permanentemente com o Congresso e as múltiplas instituições americanas, que sempre complicam a ação do Executivo.
O espaço de manobra na política externa é maior. Mas Trump, até hoje, só mostrou que não tem a mínima ideia clara sobre esse assunto. Tudo vai depender do time que será nomeado. No campo econômico, a campanha se resumiu em promessas demagógicas difíceis de serem aceitas, inclusive por partes importantes do senadores e representantes republicanos.
Mas é possível perceber uma tonalidade geral. O novo presidente, cuja a única experiência é ser homem de negócios, quer aumentar ainda mais o poderio econômico dos Estados Unidos com ideias simples. A primeira é renovar a infraestrutura do país – que está bem precisando - com pesados investimentos estatais. A vantagem é criar rapidamente postos de trabalho pouco qualificados para a base do seu eleitorado. A segunda, é uma atitude protecionista contra as importações para incentivar as multinacionais americanas a produzirem no país. A terceira é aumentar a taxa de juros e abaixar radicalmente os impostos para as empresas para que elas repatriem os US$ 2,5 trilhões estacionados no exterior e apostem suas fichas na economia americana. Um verdadeiro aspirador de dinheiro que não vai deixar de fazer falta no resto do mundo.
Enterrar o velho modelo industrial
O paradoxo desta estratégia de “Primeiro a América” é que isto vai fortalecer ainda mais a transição para o novo modelo econômico de alta tecnologia. Para ser competitiva, qualquer multinacional industrial que volte para os Estados Unidos vai ter que escolher um modelo de produção altamente automatizado e informatizado, enterrando ainda mais o velho modelo industrial dos sonhos dos eleitores de Trump. Esses vão acabar descobrindo que foram ludibriados pelo magnata. Mas vai ser tarde.
Quanto à Europa e os países emergentes, eles vão ter que amargar uma queda dos investimentos, juros mais altos, e um mercado de consumo americano cada vez mais fechado. Com Donald Trump o jogo econômico global vai ser muito mais pesado.

Alfredo Valladão, professor do Instituto de Estudos Políticos de Paris, faz uma crônica de politica internacional às segundas-feiras para a RFI

domingo, 13 de novembro de 2016

Entrelinhas XII

Pensamento do dia: A cultura forma sábios; a educação, homens.
Louis Bonauld
Onde está a educação?
 Olá meus amigos de Brejo da Madre de Deus, pela minha família, pelos meus amigos, pelos companheiros que nos leem, peça gramática que foi violentada no domingo da votação, pelo colega que não fica um dia sem ler o blog do Marcelo Santa Cruz, pelo agreste pernambucano e por minha cidade, Brejo da Madre de Deus. Sim, eu voltei. E depois de uns dias envolvidos em congressos, aulas, simpósios, colóquios, pude tirar um tempinho para falar sobre os últimos acontecimentos. Como já prevíamos, tivemos uma semana movimentada que acabou com os argumentos do Governo, que não foram suficientes para convencer os aliados a votarem contra o impedimento. Mas o que nos chamou a atenção foram os discursos dos deputados, vazios, patéticos, medíocres, cometendo os mais absurdos erros gramaticais, sem educação alguma e totalmente fora do que estava se discutindo ali. A revista Britânica The Economist, fez um levantamento dos argumentos dos deputados ao votarem. Nos votos, a maioria dos parlamentares favoráveis ao afastamento da petista não fizeram nenhum comentário ou posicionamento sobre as pedaladas fiscais - manobras contábeis que embasam o pedido de impeachment - e utilizaram como justificativa seus próprios familiares, "deus", "cristianismo", o fim da corrupção, dentre outros motivos que surpreenderam até jornais internacionais. O nível do debate foi deprimente. Como o ex-Ministro do STF, Joaquim Barbosa disse sobre o comportamento dos deputados, “É de chorar de vergonha, simplesmente patético!”.  E ele continua, “Anotem: teremos outras razões para sentir vergonha de nós mesmos em toda essa história". O que era aquele grupo perto do microfone? Onde estava a concordância, plural foi feito para se usar, parecia uma reunião de iletrados, não deputados que recebem dezenas de milhares de reais. Alguns carregavam um livro (parecia uma Bíblia), mas eu acho que era apenas para servir de apoio, porque ler, ele (a) com certeza não lia, se lessem, não abririam a boca para falar tanta besteira. Em um artigo escrito pelo Senador pernambucano, Cristóvão Buarque, ele diz que a votação foi um exemplo do momento democrático que estamos vivendo, onde o acesso a todos os setores que antes eram restritos a uma meia dúzia de privilegiados, porém, segue o senador, esta democratização é sem educação sem cultura alguma. Segundo ele deixamos de educar, e isso se verifica nas universidades, nas grandes empresas, nos mais altos postos do país, e refletido em nosso Congresso Nacional, nivelado por baixo. Pois não é só dinheiro que transforma a educação de uma pessoa, a educação é a base de tudo. Segundo o juiz Márlon Reis, um dos militantes idealizadores da lei da ficha limpa e que combate a corrupção, temos o pior Congresso da história da República.  Na segunda-feira, 18 de abril, o jornal americano Los Angeles Times divulgou um levantamento feito pela ONG Transparência Brasil sobre os políticos que estavam incumbidos de analisar o pedido de impeachment da Presidenta Dilma Rousseff. Dos 513 deputados, 303 são investigados por algum crime, desses 224 já respondem a 542 inquéritos, um é procurado pela Interpol (Paulo Maluf, este vale um capítulo à parte), o PMDB é o partido que tem o maior número de investigados, 54 dos seus parlamentares devem a justiça, o PSDB vem em seguida. Em número de políticos cassados, o DEM é o primeiro, seguido pelo PMDB e PSDB, não à toa estes partidos lideraram o processo de impedimento contra Dilma (veja lista completa de políticos cassados abaixo). O próprio processo de impedimento de Dilma Rousseff foi comandado por um senhor que é investigado desde 1992, por desvios na Suderj, no Rio de Janeiro, mas consegue se esquivar até hoje - e alguém duvida que depois de tudo que ele fez, não escape novamente? O relator do processo, Jovair Arantes, foi condenado esta semana por crime eleitoral. E no Senado a coisa não é diferente, dos 81 Senadores, 49 são investigados por alguma coisa, destaque para Renan Calheiros que já chegou a renunciar um mandato de Senador para não ser cassado, e voltou nos braços do povo alagoano, seu filho é governador de lá. É a Renana que cabe, agora, a continuidade do processo. Tivemos cusparadas, empurrões, vaias, um empurra, empurra, palavrões, o uso do nome de Deus em vão, até o absurdo de um maluco que votou em homenagem a ditadura e ao Carlos Alberto Brilhante Ustra, um monstro capaz das maiores atrocidades e que ficou conhecido na história como o maior torturador de todos os tempos. E para coroar toda esta ridícula e circense apresentação anticívica, a deputada Raquel Muniz, de Minas Gerais que disse votar contra a corrupção e pelo marido, seu maior exemplo, votando sim, no dia seguinte teve o marido preso por... CORRUPÇÃO, desvio de dinheiro da saúde. Mas estes senhores e senhoras são nossos representantes, são nossa cara, símbolos de uma nação que não valoriza a cultura, a educação e a história. De um país cujo maior expressão cultural hoje é Wesley SAFADÃO, que se reúne em torno da tv na hora do almoço para assistir programas policiais, ou no horário nobre e ver programas como Ratinho, ou novelas que atentam a moralidade, junto com seus filhos e filhas. É neste país ignorante que elege os Cunha, Maluf, Collor, Bolsonaro, Tiriricas, Renan, entre outros parlamentares que, mesmo respondendo processos, são votados pelo povo. E nisso tudo, votaram pelo afastamento de uma Presidente, sob a qual não pesa nenhuma acusação e segundo seus próprios adversários, honesta. Mas, Dilma não está caindo porque se portou igual a seus julgadores, não. Ela cai porque não teve habilidade política para negociar com este Congresso. Agora o processo segue para o Senado, e o Governo já não vê como reverte-lo. Vamos torcer para as coisas se resolvam logo, e que o Brasil volte a sua normalidade. Nisso tudo fica a lição do grande Immanuel Kant, “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”.
Por aqui na nossa terrinha, terminou o prazo para as filiações visando as eleições de outubro, e foi um show de erros. Teve pré-candidato se filiando em um partido, mas esquecendo de se desfiliar do outro, cometendo dupla filiação, teve filiação em partido sem comissão formada (quem assinou a ficha?), teve até pré-candidato que se filiou depois do prazo, teve partido que não submeteu a lista ao TRE, teve outro que esqueceu a senha para acessar o sistema, e muitos que não fizeram as exigências cartoriais e junto à Receita Federal, uma zorra total, coisa típica de quem não se planeja. Das três cidades em que presto consultoria, mais Brejo da Madre de Deus, digo a vocês, nossa cidade foi a que teve mais problemas. Fato este que não incomodou os partidos ligados ao Prefeito Dr. Edson, tudo tranquilo e favorável. Cujas filiações ocorreram desde cedo, sem traumas. Os partidos estão prontos e em breve digo aqui quais são governistas e quais oposicionistas. Agora é esperar a hora certa para colocar o time em campo e partir, se Deus quiser, para mais uma vitória. Para aqueles que tem problemas, alguns podemos encontrar a solução, basta nos procurar, mas para outros, vão precisar de muito sabão para tornar a ficha limpa. E tem muito peixe pequeno por aí, como nosso amigo Zé de Nonda, doido para denunciar os fichas sujas. Mas isso tudo, amigos, não ocorre por acaso, tudo isso é fruto de uma educação, de uma cultura, de anos de estudo, dedicação e boas ações. Aqueles que andam na linha, colhem bons frutos, aqueles que insistem em fazer coisas erradas, vivem fugindo da justiça, mas igual ao antigo jogo do Pac Man, um dia eles são encontrados e aí é o fim da linha. Por isso, procure educar seu filho, este é o único bem que você deixará para ele e será eterno, porém, como disse o mestre Aristóteles, “A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces”. O mais fácil, nem sempre é o mais correto.
(Confira a lista completa de políticos cassados por corrupção)
 Valdeci Ferreira Junior é professor das Faculdades Mauricio de Nassau, Professor das redes Municipal de Brejo da Madre de Deus e da rede Estadual de Ensino, Acadêmico do Curso de Direito da Unifavip e analista político. 


Napoleão Bonaparte, o estrategista

Uma forma que você tem para aprender sobre estratégia é estudar os métodos deles ao longo dos anos, é claro que as situações nuca se repetirão e as situações serão muito diferentes, e claro, eles também erraram. Mas o que fica para a história são suas lições e  isso é importante estudar.
Vamos falar sobre um dos maiores estrategistas militares de todo os tempos, Napoleão Bonaparte.

Há 201 anos, em 18 de junho de 1815, acabava o império de um dos principais estrategistas militares da história, o francês Napoleão Bonaparte (1769-1821).  Em seu auge, o império napoleônico ocupou boa parte da Europa, acumulando quase um terço da população do continente.
A queda de Napoleão aconteceu na Bélgica, no episódio conhecido como Batalha de Waterloo. Depois de retomar o poder por mais de três meses, no período chamado de Governo dos Cem Dias, Waterloo marcou o fim da carreira política de Napoleão.
Veja algumas curiosidades sobre Napoleão:

1) Casar de branco

Para o evento de sua coroação, em 1804, Napoleão mandou confeccionar trajes brancos seguindo o modelo de sua esposa Josefina. Durante a cerimônia, o papa Pio 6º também oficializou o casamento deles. Antes de Napoleão e Josefina, as pessoas se casavam com trajes de qualquer cor. Depois do casal, a opção do branco começou a se popularizar.
Outra relação entre Napoleão e a moda é a lenda de que os botões presentes nas mangas de paletós e casacos foram ideia dele. O imperador gostava que suas tropas estivessem alinhadas e bem vestidas -- ele não gostava que os soldados limpassem o nariz e a boca nas mangas da farda. Por isso, ordenou que oito botões de metal fossem colocados no local, a fim de evitar tal atitude. Com menos botões, o design dos trajes permanece até hoje. 
Reuters

2) Arco do Triunfo: monumento às vitórias das tropas napoleônicas

O Arco do Triunfo, em Paris, é parada turística obrigatória para quem vai para a França. Mas nem todo mundo sabe que os desenhos do monumento fazem referência a batalhas travadas pelas tropas napoleônicas.
Ele foi construído em 1805, quando o exército francês fazia uma campanha militar para lá de bem sucedida. Naquele ano, o império conseguiu uma de suas principais vitórias na Batalha de Austerlitz, numa região que corresponde à atual República Tcheca. Nesse confronto, o exército francês venceu as tropas austro-russas, apesar de ter menor número de soldados que o inimigo. Os historiadores consideram a batalha uma obra-prima tática de Napoleão, o que evidenciou sua genialidade como estrategista militar.
O monumento contém gravados os nomes de 128 batalhas e 56 generais. Apesar de ter planejado a homenagem, Napoleão nunca chegou a ver o Arco do Triunfo pronto. A obra só ficou pronta em 1836, 15 anos após a morte do imperador e 21 anos após a derrota em Waterloo. 
Wikimedia Commons

3) O imperador sem pênis

Napoleão morreu em 1821, na Ilha de Santa Helena. No entanto, o corpo não foi sepultado com todos os órgãos. O pênis do imperador teria sido amputado horas depois de sua morte. A principal hipótese para explicar esse fato é que a amputação tenha sido feita durante a autópsia, pelo médico francês Francesco Antommarchi.
A relação de Antommarchi com Napoleão era pouco amistosa. Enviado para cuidar do câncer de estômago do imperador, o anatomista pouco entendia do assunto. O fato irritou Bonaparte, que o recebia com insultos e cusparadas. A amputação teria sido uma vingança do médico.
Mais de um século depois, a relíquia reapareceu nos Estados Unidos, guardada pelo urologista John Lattimer. Segundo a Time, Lattimer permaneceu com o órgão até sua morte em 2007. A filha que herdou a relíquia deseja leiloá-la. O preço inicial é 100 mil dólares (cerca de R$ 310 mil).
France Presse- AFP

4) Chapéu leiloado por R$ 6,5 milhões

Em 2014, um chapéu de duas pontas, usado por Napoleão, foi leiloado por 1,89 milhão de euros – cerca de R$ 6,5 milhões. Dos 120 chapéus que o imperador usou durante seu governo, 19 foram encontrados. Boa parte deles está em coleções de franceses.
Wikimedia Commons

5) Solução do enigma dos hieróglifos

Napoleão teve um papel essencial para decifrar os hieróglifos egípcios, um dos mais antigos sistemas de escrita do mundo. Durante a invasão do Egito, em 1798, Napoleão levou um grupo de estudiosos, que deveria trazer à França todos os patrimônios de interesse cultural ou artístico.
Um dos soldados de Napoleão encontrou uma pedra de granito, que continha inscrições em três tipos de escrita: grego, hieróglifo egípcio e demótico. Mesmo com diferentes caligrafias, o texto inscrito na Pedra de Roseta, como ficou conhecida, continha o mesmo significado. Foi, portanto, essencial para resolver o enigma dos hieróglifos.
Wikimedia Commons

6) Anticristo?

A rainha portuguesa Maria 1ª, apelidada de Maria, a Louca, acreditava que Napoleão seria o "anticristo". Portugal era um dos alvos do imperador, pois o país era aliado e tinha fortes laços comerciais com a Inglaterra. Napoleão havia proibido o comércio com os ingleses, no ato que ficou conhecido como Bloqueio Continental-- e por causa dele, a família real portuguesa fugiu para o Brasil em 1808.



Wikimedia Commons



Entrelinhas XI


Pensamento do dia: O homem comum fala, o sábio escuta, o tolo discute
Proverbio Oriental

O que sobrou do Brasil

Olá meus amigos de Brejo da Madre de Deus, e parece que quando não poderia ficar pior, o caldo azedou de vez. A lista da Odebrecht pegou o mundo político de surpresa, deixou todos expostos. Ícones do impedimento da Presidenta como Paulinho da Força SD, Raul Jungmam PPS, Agripino Maia DEM, Mendonça Filho DEM, Aécio Neves PSDB, José Serra PSDB, dentre muitos outros. Defensores do Governo também como Humberto Costa PT, Maria do Rosário PT, Manuela D’ávila PCdoB, etc. Até gente da REDE, como o Senador Randolfe Rodrigues, ex-PSOL, também estão lá. Ex políticos como Sarney, e pessoas que nem se candidataram, como os 3 milhões do Gabriel Chalita PMDB de São Paulo. Tem até um “Santo” que recebeu mais de 3 milhões de reais de uma obra executada na administração do Geraldo do PSDB em São Paulo.  Foi uma bomba atônica, mas curiosamente a Globo não mostrou a lista, devia ter coisa mais importante para mostrar, afinal o Candinho finalmente foi descoberto pela mãe (ou não), Eliza encontrou seu pai e a morte do Capitão, realmente assuntos de elevada importância. Mas o rolo continua. O PMDB desembarcou do Governo Dilma, Moro pediu desculpas pelo vazamento os áudios das conversas de Lula, e mais, e mais coisas vem acontecendo. Os fatos estão acontecendo com uma velocidade louca, quem tenta acompanhar as vezes se perde no emaranhado de acontecimentos. Os próximos dias veremos o que irá acontecer, pois serão dias decisivos para a situação e para a oposição.
Cá com os nossos botões, vivemos as emoções da Festa do Padroeiro São José e da Semana Santa, poderíamos ficar apenas na parte religiosa que foi belíssima, acho que nunca vi tanta gente nas ruas de Brejo da Madre de Deus numa demonstração de fé verdadeira. A religião Católica, mãe das demais igrejas cristãs levou sua fé e mensagem de paz e esperança pelas ruas de nossa cidade e as imagens áreas produzidas pelo drone contratado pela Prefeitura captaram uma imagem única. Mesmo aqueles que não frequentam a Igreja se sentiram abençoados com a passagem do povo de Deus. Já os espetáculos da Paixão de Cristo, o que dizer? Cada ano melhores, sempre com inovações e muita, muita gente.   
Mas o que rolou nestes dias todos e continuará depois deles são os bastidores políticos. A movimentação dos vereadores foi intensa, culminando como fato mais marcante a saída de Josevaldo do PTB para o PRB segue a estratégia da aproximação política dos partidos que estão em torno do Ministro Armando Monteiro e fortalecer o nome de Dr. Edson para a reeleição. A tendência é que teremos dois candidatos disputando a Prefeitura, porém podemos ter um ou dois coadjuvantes que podem se candidatar, os outros que se movimentam claramente na perspectiva de se valorizarem e almejarem uma vaga na vice. O problema é que só existe uma vaga, e muitos pretendentes. Isso porque todos imaginam que o futuro vice-prefeito de Dr. Edson seria seu sucessor natural na disputa pela Prefeitura em 2020 (pois é, nem chegamos a disputa de 2016 já estão falando em 2020). A imprensa tem falado em Jaime do PRTB e uma candidatura de São Domingos, mas acho difícil elas se sustentarem, a não ser que os mesmos pretendam apenas lançar os nomes para ver a aceitação popular, mas seria um risco muito grande e “queimar o filme”, como dizem por aí, apenas para mostrar que pode ser candidato, seria mostrar que é cabeça dura e o eleitor não gosta de imposição, o que ele gosta é de ganhar a eleição, e sabe que para ganhar a eleição precisa de um candidato forte, e fica com raiva quando surge um candidato fraco que só vai “atrapalhar” a eleição. No interior, como dizia aquele ilustre Senador, não tem espaço para outra coisa, ou é carne de charque ou carne de sol. Nossa eleição é igual a eleição americana, se resume a dois candidatos e pronto, mas vivemos numa democracia e todos podem e devem ter o direito de pleitear um cargo público. O problema é que a oposição anda tão desnorteada e enfraquecida que todos se acham no direito de pleitear o cargo vago (de oposição). Desde a descabida viagem “insólita” do Governo Suplementar que a oposição se perdeu e não se recuperou mais. Perdeu sua bandeira, suas lideranças e seu mote de campanha, diante do lugar vago, caras novas tentam ocupar este espaço.
Mas tem aqueles que não querem nem ouvir falar em política e dizem coisas absurdas. Bom, poderíamos lembrar aquele texto de Bertold Brecht (olha ele aí de novo) que fala do analfabeto político:
“O Analfabeto Político
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Ah, como tem lacaio de empresa privada, os nomes lá de cima da lista da Odebrecht são exemplos, mas eu prefiro voltar ao tempo dos Gregos, onde surgiu a Democracia. Bem verdade que era para poucos, as mulheres, por exemplo, e os escravos não tinham direito a voto. Porém todas as decisões eram tomadas por todos, eles se reunião nas praça, chamadas de Ágoras para decidir sobre os assuntos da cidade. Estes, que eram conscientes de sua responsabilidade, eram chamados de cidadãos e eram politizados (decidiam as coisas da polis = cidade, eram pessoas pensantes). Já aqueles que não participavam, não compareciam as Ágoras, não queriam nem saber dos problemas da coletividade eram chamados de idiotas, de IDIOS (pessoal, privado). Ou seja, eram pessoas que só se importavam consigo mesmas, egoístas, pouco se importavam com os problemas da coletividade, aquele que não exercia a coisa pública.
Quando alguém diz que o voto no Brasil deveria ser facultativo, eu digo que já o é. Você só precisa comparecer a seção. Mas seria egoísmo de nossa parte se imaginarmos quantas pessoas lutaram que nós tivéssemos este direito. Pior, o Estado nos convoca para opinar sobre a administração pública e você se recusa, já imaginou isso? Se mais pessoas de bem continuarem a dizer não, que m irá participar da política? 
É preciso que tenhamos cada vez mais cidadãos participando das eleições e menos idiotas, essa mudança começa por você colocando as pessoas certos no poder.

Valdeci Ferreira Junior é professor das Faculdades Mauricio de Nassau, Professor das redes Municipal de Brejo da Madre de Deus e da rede Estadual de Ensino, Acadêmico do Curso de Direito da Unifavip e analista político.

Base secreta alemã da Segunda Guerra Mundial é descoberta nas proximidades do Polo Norte

Uma base secreta alemã da Segunda Guerra Mundial foi descoberta nas proximidades do Polo Norte.

Os restos de uma base alemã foram encontrados por pesquisadores russos em uma ilha que fica perto do Polo Norte.


A base militar “Schatzgrabber” (Caçador de Tesouros, em alemão) foi construída por Alexandra Land, em 1943, na isolada ilha de Franz Josef Land, a mais de 1.100 quilômetros do norte de Arkhangelsk, uma cidade russa.
As ilhas são cobertas pelo gelo durante grande parte do ano e o local foi visitado pela última vez na década de 1980, disseram os pesquisadores. Mas no início desse ano, em agosto, uma equipe de arqueólogos russos explorou e catalogou os restos da base pela primeira vez. [Veja as fotos da Base secreta alemã da Segunda Guerra Mundial]
“Neste verão, o Ártico estava muito quente, então toda a área de Schatzgrabber estava completamente descongelada, tornando possível a exploração completa do local”, disse o líder da equipe, Evgeny Ermolov, pesquisador sênior do Russian Arctic National Park, que agora administra a ilha.
Entre os achados estão os restos mortais de vários soldados alemães e seus uniformes, bem como fragmentos de armas e munições, incluindo espingardas, metralhadoras, minas terrestres e granadas de mão, que foram abandonadas quando os últimos ocupantes da base foram evacuados por um submarino alemão em 1944.
Cerca de 10 meteorologistas alemães estavam na ilha em 1943 em uma missão secreta para enviar avisos sobre as condições climáticas dos oceanos nortistas e da Europa, para que o exército alemão considerasse essas informações em suas operações estratégicas.


Ermolov disse que a equipe de pesquisa recuperou mais de 600 objetos nos escombros da base, além de um depósito de suprimentos emergenciais e uma pista de pouso. Esses artefatos foram enviados ao Arctic National Park em Arkhangelsk para serem estudados mais a fundo, disseram os pesquisadores.
Ermolov disse que o ambiente muito seco e praticamente livre de micróbios também ajudou a preservar muitos objetos de madeira, couro e tecido, incluindo manuais navais alemães, livros de meteorologia, tabelas astronômicas, registros de clima, revistas e uma cópia do clássico romance de Mark Twain, “Tom Sawyer”.
O urso polar de Potluck
A equipe também encontrou suprimentos de comida enlatada na base, incluindo sardinhas de Portugal, curiosamente rotuladas em inglês, mostrando que estavam à venda na América. [De objetos voadores até controle da mente: 7 segredos revelados da CIA]
Mas sardinhas não eram a única coisa no menu dos soldados de Alexandra Land. As águas da baía começaram a congelar com a aproximação do inverno e vários barcos cheios de suprimentos e equipamentos foram esmagados pelo gelo, disseram os pesquisadores.
“Alguns dos suprimentos e equipamentos afundaram, então as opções de alimentos durante o inverno ficaram bastante limitadas. Não seria nenhuma surpresa se eles tivessem matado ursos polares em busca de carne fresca, pois não havia mais nada por perto”, disse Ermolov.
Mas ele acrescentou que os meteorologistas não cozinhavam corretamente a carne de urso, fazendo com que todas as pessoas que a comeram tivessem um surto de triquinose, uma infecção dolorosa e desagradável de lombrigas, causada pela ingestão de carne contaminada.
Em resposta à essa emergência médica em Alexandra Land, um ousado voo de resgate saiu da base alemã em Banak, na Noruega, em julho de 1944 para levar um médico até a ilha e trazer de volta os meteorologistas doentes, de acordo com o historiador alemão Franz Selinger.
Mas o grande FW-200 “Condor” teve uma roda danificada durante a aterrissagem e um segundo avião precisou ser enviado de Banak para trocar a roda e permitir que a primeira aeronave decolasse e fizesse a evacuação dos doentes.
Ermolov disse que os pesquisadores tiveram que procurar em uma área muito grande, mas tiveram a sorte de encontrar vestígios do campo de pouso, incluindo restos de barris de combustível, tendas, baterias, caixas, bombas de fumaça e sinalizadores feitos em 1941.
“Antes, só sabíamos dessas coisas através de fontes escritas, mas agora temos provas materiais”, disse Ermolov.
O último reduto
A base alemã em Alexandra Land não estava completamente perdida na história: depois da guerra, algumas estruturas foram utilizadas pelos militares soviéticos até a base aérea de Nagurskoye da Rússia ser construída na ilha na década de 50.
Uma equipe de especialistas e militares alemães também visitou a ilha na década de 80 para remover os campos minados que haviam sido plantados em torno da base para protegê-la de um ataque, disse Ermolov.
Mas ele acrescenta que a exploração desse verão representou a primeira vez na qual o local foi exaustivamente estudado e registrado após ter sido abandonado.
“Fizemos uma descrição completa da estação e de todos os objetos restantes, incluindo restos de barracas, da estação meteorológicas, das fortificações e da pista de aterrissagem pela qual os alemães foram evacuados em julho de 1944”, ele diz.
O nome enigmático da estação alemã, que significa Caçador de Tesouros, alimentou a especulação de que a base em Alexandra servia para outros propósitos além de registrar o clima no local. Algumas teorias sugerem que a base foi ocupada por uma unidade das tropas nazistas e tido um papel no desenvolvimento de armas secretas, ou na busca de uma mítica “pátria nórdica” nas ilhas do Círculo Polar Ártico.
Mas o historiador William Barr disse ao Live que o propósito da base era estritamente científico e era uma das 10 estações meteorológicas alemãs nas ilhas do Ártico ao norte da Europa.
“Foi um grande desastre. O líder da expedição enlouqueceu. Quando eles foram evacuados, ele precisou ser amarrado no chão da aeronave para evitar seus surtos de violência”, Barr disse.
Os pesquisadores russos não encontraram nenhuma evidência que apoiasse as especulações sobre a base de Schatzgrabber. “Preparamos um diagrama completo da estação com referências geográficas sobre todas as suas comodidades, incluindo máquinas que sugerem que a ocupação alemã data da época da Segunda Guerra Mundial”, disse Ermolov. “Com base nesses dados, podemos eliminar alguns dos mitos que se formaram em torno da base por muitos anos.”
Tom Metcalfe, colaborador do Live Science

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Entrelinhas X


Pensamento do dia: Os sábios não dizem o que sabem, os tolos não sabem o que dizem.
Confúcio


A Guerra de Egos no Brasil das contradições


Olá meus amigos de Brejo da Madre de Deus, e não é que o PT deu o troco nas manifestações e na organização política, o problema é que a Globo e o PSDB deram o contra ataque a jato, ou seria Sérgio Moro, enfim, nessa guerra de egos há muito tempo que a Democracia, a Justiça e o Governo deixaram de existir. Todo aquele que tem noção de Estado (e não estou falando do Estado de Pernambuco, e sim do Estado como ente governamental soberano, representação de um povo) já percebeu que Lula não está sendo investigado pela Justiça, nem Dilma está ameaçada de impedimento porque cometeu um ato de flagrante de improbidade administrativa. Eles estão na berlinda simplesmente porque alguns setores da política nacional decidiram acabar com eles. Primeiro a briga com Eduardo Cunha que levou a abertura do processo de impedimento, simplesmente porque querem tirá-la. E depois a ira de Moro que resolveu passar por cima de todas as leis para prender Lula, até hoje sem sabermos do que o acusam. De ter um sítio e um apartamento? E ele não pode ter? O acusam também de fazer palestras e receber muito por isso, ora, paga quem quer! Se está caro, chama Fernando Henrique Cardoso para falar, o problema é achar alguém que queira ouvi-lo. Mas sempre tem.
Entendo que, o que está em jogo é muito mais que uma questão de fazer justiça, o que está em jogo é que estes setores conservadores decidiram que o PT já ganhou 4 eleições presidenciais e não pode ganhar a quinta. Agora, não podemos esquecer que o PT e seus aliados deram motivo a esta decisão. Mas aí existem mecanismos de resolver isso democraticamente. As instituições estão agindo, a Polícia Federal, o Mistério Público, a Justiça, é uma questão de tempo para as coisas se resolvam, e depois vêm às eleições de 2018 e você os tira, é assim que a Democracia age, simples.
Mas a verdade seja dita, boa parte destas leis que estão “causando” por aí, foram criadas na administração do PT, inclusive a famosa delação premiada, entendeu agora a raiva de Eduardo Cunha e outros políticos que devem? E vejam a incoerência, querem afastar a Presidente que criou estas leis, deu autonomia a Polícia Federal e o Ministério Público, num processo conduzido por um deputado que é réu da Lava Jato (Cunha), cuja comissão é formada por 61 membros, dos quais 20 respondem processo no STF (Paulo Maluf está nessa comissão, já pensaram nisso?), e querem colocar na Presidência alguém que é também investigado (Michel Temer). Como assim? Existe um grave problema aqui, se querem tirar Dilma porque ela cometeu as pedaladas fiscais (que todos os outros antes dela fizeram), pode assumir sua vaga pessoas investigadas? Está aí uma questão jurídica interessante, para o ex-Ministro do STF, Ayres de Brito diz que, se o Presidente da República não pode ficar no cargo por estar respondendo processo, é de se imaginar que o seu sucessor também não poderia.

Mas também temos de dizer que o PT criou a corda para se enforcar.

Contudo, na Democracia é assim, como já dizia o Estadista Inglês Winston Churchill, que venceu os Nazistas na Segunda Guerra Mundial. Ele afirmou que: “Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas”. Tudo tem seu tempo e sua forma de resolver, agindo como estão agora só prejudicam o país.
Por isso que a Justiça, o Governo, o Estado, o MP e a PF devem ser impessoais, é um dos mais importantes princípios da Administração Pública. Mas o que estamos assistindo é uma briga pessoal entre eles. Qual o motivo dele liberar os grampos no dia da posse de Lula como Ministro? O próprio Moro diz em seu despacho: “não há nenhum indício nas conversas, ou fora delas, de que as pessoas citadas tentaram, de fato, agir "de forma inapropriada". Então qual o objetivo? Pense e responda. Estamos prestes de receber o mundo para os Jogos Olímpicos, qual a impressão que levarão de nós? Que agimos por casuísmos?
O momento vivido hoje no país é para pessoas de coragem, não está fácil para ninguém e nesse jogo de empurra, o país segue ladeira abaixo. Tanto um lado como o outro tem seus argumentos, suas lutas e seu determinismo. Serão batalhas duras de travar agora por diante. É nessa hora que surgem as mulheres e homens de coragem que entrarão para a história. Gosto da frase de Bertolt Brecht, dramaturgo, poeta e ensaísta alemão que sobreviveu ao Nazismo, ele diz:

Há homens que lutam um dia e são bons, 
há outros que lutam um ano e são melhores, 
há os que lutam muitos anos e são muito bons,
mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis."

Esse será o clima daqui por diante. O que se houve no Congresso é que Dilma não come a pamonha do são João, outros dizem que se ele sobreviver até as eleições municipais, ganha fôlego para terminar o ano e recomeçar a organizar a casa, se a Globo deixar claro, pode ser que ela consiga um novo fato, nunca se sabe. Mas será uma batalha por dia.
Só espero que em nosso pequeno lugar, que está sendo afetado por tudo isso, esse discurso de raiva que é pregado por todos os cantos não contamine nossa campanha municipal.
Façamos o hoje, pensemos no amanhã, recordemos o ontem, mas vivamos o hoje com mais garra e vontade, pois os tempos são difíceis, mas a esperança é viva naqueles que estão despidos de raiva e inveja.    


Valdeci Ferreira Junior é professor das Faculdades Mauricio de Nassau, Professor das redes Municipal de Brejo da Madre de Deus e da rede Estadual de Ensino, Acadêmico do Curso de Direito da Unifavip e analista político.

Entrelinhas IX



Pensamento do dia: Nem tudo que é justo é direito e nem tudo que é direito é justo.
                                                                         Autor desconhecido


O certo, o direito e o justo
  Olá meus amigos de Brejo da Madre de Deus, ainda contabilizando o tamanho das manifestações que aconteceram neste domingo. Por vezes pensamos no que realmente quem são estas pessoas que participaram do movimento e o que queriam. A Globo fez questão de nos dizer que eles queriam o impedimento da Presidenta e a prisão de Lula. Mas nos restam algumas perguntas: Afastando Dilma e prendendo Lula acabasse a corrupção no pais? A prisão de Lula baseado em que? Se nem mesmo a justiça conseguiu ainda apresentar uma prova concreta que ele tenha cometido algum crime, por ora, apenas indícios. É verdade que no final da semana, dois membros do MP paulista pediram sua prisão preventiva, mas uma pessoa que confunde Engels com Hegel não pode ser levada a sério, e a própria oposição achou o pedido sem fundamentos.
            No caso de Dilma querem seu impedimento porque ela mentiu na campanha, porque atribuem a ela a crise econômica - esquecendo todos os outros atores deste cenário de caos – e porque o Governo dela, que deu toda a liberdade de investigação para a Polícia Federal, estaria envolvido com o escândalo de corrupção que está desmoralizando o país. Soa contraditório você pedir a saída de um Governo que está dando a liberdade de investigação para o MP e a PF. Nenhum desses, são motivo para impedimento.

            Mas se ilude aquele que pensa que o povo não sabe o que quer. Verdade que o que vimos nas manifestações (foram sim!) pedidos de afastamento da Presidenta e a responsabilização do ex-Presidente Lula, mas acima de tudo, vimos um pedido maior pelo fim da corrupção e a moralização da classe política. E é claro, nessa revolta, quem está no Governo acaba levando a culpa. E o povo mostrou que não está a fim de permitir que sua indignação seja usada por oportunistas e aproveitadores, afinal já dizia Eleaonor Roosevelt: “não é justo pedir aos outros o que você mesmo não está disposto a fazer”. Por isso o povo vaiou e desferiu ataques a Geraldo Alckmin. Aécio Neves, Mendonça Filho, Marta Suplicy, Paulinho da Força e quem mais tentou se aproveitar da situação. As pessoas estão se questionando, se Dilma sair, quem fica no lugar dela? Michel Temer? Eduardo Cunha?  Quem poderia apresentar as condições para mudar o que está aí? Trocar corrupto, por corruptos não é a solução, e não estou dizendo aqui que algum dos citados acima seja. Por isso achei interessante um movimento de várias pessoas pela internet dizendo que não iam a manifestação porque o protesto visava, com o impedimento de Dilma, colocar na Presidência Michel Temer, que é investigado pela Lava Jato, ou pior,  Eduardo Cunha, que está envolvido até o pescoço, ou uma nova eleição onde o nome da oposição seria o de Aécio Neves que construiu, segundo denuncia do MP, um aeroporto no sítio do tio com recursos públicos. Estes internautas diziam ainda que participariam dos protesto se houvesse o pedido pela renuncia coletiva de todos os detentores de cargos políticos, com uma reforma política, mudança de sistema político e o fim do voto em legenda.

           Mas vez ou outra, víamos na tv (que alterou sua programação para transmitir o desfile) pessoas pedindo intervenção militar, morte aos comunistas, prisão para todos os políticos, e outras barbaridades. Isso nos lembra ainda o período em que a cidade de Brejo perdeu seu Prefeito por um erro jurídico, quem assumiu em seu lugar não demonstrou o mesmo cuidado e o resultado é que a cidade sofreu. Lembro ainda quando as pessoas foram enganadas por aproveitadores, e passaram pelo ridículo de um protesto sem cabimento contra o TSE que deu a sentença final, resolvendo a questão. Queimaram título e tudo, mas na eleição seguinte estavam lá votando. Onde está a indignação? Uns poucos expertos, se aproveitando da situação tentaram se impor. Situação semelhante a de 2008, lembram? Quando um grupo de pessoas foi induzido a ir para a porta do fórum dizer que houve fraude na eleição, passando por um papel lastimável. Que papelão! Mas observaram que os líderes nem lá apareceram? Muitas pessoas foram à tv, se expuseram, falaram tudo que podiam, até se arriscaram, pois podiam responder algum questionamento na justiça, mas os cabeças do movimento, nem uma palavra. Deixaram o povo humilde e sem conhecimento darem a cara para depois serem ridicularizados.
           
            Estas pessoas só costumam aparecer em dias especiais, como o próximo sábado na Festa do Glorioso São José, mas será que o motivo deles seria o de devoção ao Santo, de se confessar, pedir perdão pelos erros, rezar um rosário e pedir chuva na nossa região à São José? Qual seria o motivo da aparição destes?  Eu acho que muitas vezes a intenção divina e o compromisso religioso sagrado são deixados de lado e vem até em terceiro, quarto, quinto lugar. O povo de Brejo da Madre de Deus, assim como o povo brasileiro, é sábio, diferencia bem um oportunista de pessoas bem intencionadas. No passado podem até ter se arriscado e eleito um aventureiro e viu como se deu mal. O momento não é para oportunistas, aproveitadores. Não, o momento exige seriedade, responsabilidade, liderança, que sejam mais que bons, que sejam justos e governem com esta justiça. O grande problema é que o Brasil está carente de pessoas com este perfil.

Vitor Hugo já nos dizia, “ser bom é fácil. O difícil é ser justo”, e apesar de estarmos sempre procurando fazer o que é direito, nem sempre este é justo. Precisamos pesar bem as nossas ações para não ser injusto com alguém. E Vitor Hugo nos mostrou isso de forma brilhante no seu célebre livro “Os Miseráveis”, que adoro ler e citar. Ele nos mostra que todos erramos, e que este erro não pode ter uma pena sem fim. Merecemos o perdão e a misericórdia, pois só podemos dar aquilo que recebemos e que nossos atos e palavras interferem na vida dos outros mais do que possamos imaginar (ou seria isso um pensamento cristão esquecido por nós). Por isso, devemos ser mais justos, que direitos. O policial criado por Vitor Hugo, Javert, era um homem muito direito, que cumpria as normas, mas era justo? Assim como a gerente da fábrica que cumpriu a risca o regulamento que não permitia o trabalho de mães solteiras, condenando  Fantine a uma vida de sofrimento, desespero e ruína moral.Ele foi justo? Mas foi com um gesto também que o bispo Myriel mudou a vida de Jean Valjean, o protagonista da história, mostrando a ele a beleza que Deus nos reservou, tornando-o um homem bom e justo. O que mostra que nem tudo está perdido, citando Anne Frank, "apesar de tudo eu ainda acredito na bondade humana".

Porém, pensemos todos, o que será pior para a crise, manter Dilma ou afastá-la? O que será justo, e o que é direito? Não sabemos ainda como essas manifestações influenciarão os políticos e como acelerará o processo de impedimento, mas que terá influência isso sem dúvida. Outra questão é saber como o PT e a Presidenta irão responder, existe uma manifestação marcada para o próximo dia 18, será que eles conseguem dar uma resposta? Cenas do próximo capitulo.



Valdeci Ferreira Junior é professor das Faculdades Mauricio de Nassau, Professor das redes Municipal de Brejo da Madre de Deus e da rede Estadual de Ensino, Acadêmico do Curso de Direito da Unifavip e analista político.